Não se pode caminhar no alto da Penha

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Iniciei uma rotina de fazer caminhadas pelo menos duas vezes na semana. Como em meu bairro, a Penha, zona norte do Rio de Janeiro, não existem tantas belezas naturais como parques, rios ou algo do tipo, decidi fazer a minha caminhada até o Santuário de Nossa Senhora da Penha. Seria o lugar perfeito para iniciar bem uma manhã. Arborizado, bonito, silencioso e com uma grande vista da cidade. Consigo ver o Aeroporto Tom Jobim e até mesmo o Cristo Redentor. Além de ter a noção da dimensão do Complexo da Penha e do Alemão. Após fazer a caminhada pela primeira fez ouvindo uma boa música, tive certeza de que esse projeto de fazer algum tipo de exercício iria dar certo. Fazia alguns anos que não ia até o topo do santuário e não recordava a paz de espírito daquele lugar. Passei o resto do dia com mais disposição e bem estar.

Em meu segundo dia de caminhada, fazia um dia de sol radiante e com poucas nuvens, suava a camisa subindo os 365 degraus e cheguei ao topo exausto. Como na última vez, dei algumas voltas caminhando ao redor da igreja para retomar o fôlego e ao mesmo tempo, admirar a dimensão da cidade. Fui abordado por um funcionário da administração do santuário informando, muito educadamente, que já havia me visto anteriormente mas estava esperando uma melhor oportunidade para me informar que eu não poderia seguir com minhas caminhadas na parte de cima do santuário. Segundo o vigilante, as ordens eram diretamente dadas pelo Padre. A justificativa era de que o simples fato de eu caminhar por ali poderia incomodar os romeiros. Acatei na mesma hora a orientação do vigilante e desci a escadaria. Procurei o responsável pela administração do santuário. Também muito educado, ele confirmou a informação do vigilante de que as ordem tinham origem do pároco do santuário, o Padre Serafim Fernandes. Informou-me que a escadaria já é o início da igreja e o intuito dela é uma penitência ou uma forma de pagar seus pecados. O padre não queria que pessoas subissem as escadas com o intuito de se exercitarem, mas sim rezarem. Agradeci-o e disse que não concordava com tal decisão imposta pelo sacerdote e que gostaria de conversar com o mesmo. O administrador sugeriu que voltasse na manha seguinte, pois o padre estaria lá para celebrar a missa.

Como orientado, retornei ao santuário na manhã seguinte, porém a missa havia encerrado cerca de 10 minutos antes de minha chegada. Fui até a secretaria procurar pelo Padre e fui informado que o mesmo acabara de entrar para tomar o seu desjejum. Pedi para que fosse informado à ele toda a minha situação. De que tive no dia anterior e que fui orientado pelo administrador do local a conversar com o ele. Também disse que a conversa seria bem rápida e que não era minha intenção tomar muito seu tempo. O recado foi passado.

A desistência veio 50 minutos mais tarde ao esperar em vão o atendimento do padre. A essa altura já era notório o interesse em que ele demonstrava querer tratar do meu assunto. Desapontado, disse a funcionaria da secretaria que não poderia espera-lo. Desde então deixei de caminhar e sentir a paz da Penha.

pazdapenha

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